sábado, 21 de setembro de 2013

O paradoxo e os opostos ~*

Sabe, ontem me perguntaram de você.Tudo bem, eu já estou acostumada com essa pergunta. Confesso que ouvir seu nome através dos outros me deixa encantada. E responder à essa pergunta sempre me deixava feliz. Por que eu lembrava de como você estava bonito a última vez que nos vimos e isso me arrancava um sorriso involuntário, que eu preenchia com um “Está ótimo!”, verbal e um “Lindo como sempre!” , em pensamento. Mas ontem me perguntaram de você e sobre nós e eu confesso que recebi essas perguntas como se fossem um soco no estômago. Nós…N-Ó-S. A gente acabou. E eu não tive mais o sorriso involuntário. Respondi apenas com um olhar e sorriso chochos: “Não estamos mais juntos.” Não vale a pena nem comentar o semblante de incredulidade da outra pessoa. ”Mas vocês ficavam tão bem juntos!” E eu simplesmente assenti com a cabeça. Precisei ir embora por que lembrei de repente de um compromisso. “Urgente?” “Urgentíssimo!” Saí de lá como se fosse uma louca que havia recuperado de repente a consciência e notado estar numa clínica de recuperação. Eu fugia como se andar mais rápido pudesse me fazer esquecer aquelas perguntas. Mas havia aquele nós, que era para ser laço bonito, lembrança perfeita, mas apertava tanto no peito. Nós. Que representavam o que fomos um dia. E nós fomos. Sei que fomos. O casal mais lindo e engraçadinho de todos. Desses que fazem as pessoas pararem para observar e pensar “Foram feitos um para o outro.” E a gente causou inveja sem querer. E eu causei inveja consciente.”Desculpa se ele é realmente apaixonante, minha filha, mas ele está segurando é a minha cintura.” Eu fui feliz de verdade. E acredito que você também já foi. Tudo bem, a gente ainda é. Porque se há uma coisa da qual eu jamais duvidarei é desta sua capacidade incrível de me arrancar sorrisos mesmo quando estou apreensiva, cansada ou até mesmo nervosa com você. E se há algo do qual eu gostaria de sempre ter certeza é da sua permanência ao meu lado. Mesmo que ela seja silenciosa, um tanto omissa. Eu gosto é de ter você ali,ao lado. Eu sei, eu sei. Eu nunca te disse isso e me arrependo de ter um dia deixado de te olhar nos olhos e poder dizer. E pensar em todos os dias que passamos desde alguns meses atrás, mesmo os que deixaram mágoas, não faz isso diminuir. Eu acho que já não tem mais jeito. Mesmo que o tempo passe e leve a vontade de estar junto, eu ainda vou querer estar contigo. Não junto, só contigo. Entende? Eu sei que você entende. Você já me disse que não quer se distanciar de mim. E eu muito menos. Eu quero continuar com você do jeito que a gente sabe, sempre foi o nosso jeito. As conversas sem nexo. Brincadeiras que só a gente entende. E até mesmo quero poder continuar te mostrando meu ponto de vista mesmo que eu saiba que o seu será completamente diferente. E também quero continuar imaginando como você irá me responder ou dizer tal coisa e acertar todos os gestos e palavras só para poder pensar “É,ele não muda nunca.” . E acho que essa sensação vai continuar sempre comigo. De te conhecer desde muito antes e para todo o sempre. E eu gosto quando você também acerta o que eu quero e o que vou dizer. Você ainda me conhece e eu não vou mudar nunca. Ta aí, acho, com total certeza, que isso é o que faz a gente: o sempre nunca. Esse paradoxo infinito que é nossa relação. Eu nunca te quis tanto, e no entanto, sempre vou seguir em frente quando a vontade voltar a bater. Eu sempre quero você comigo e nunca desejarei que outra te faça sentir o que eu fiz. Eu quase nunca esqueço de você e nem sempre seria o correto te ter por perto. Então, pensando nisso tudo, ainda me resta uma pergunta: O que somos nós? Sinceramente, eu não sei. Se pudesse existir algum elemento concreto que nos descrevesse, ele teria todos os ângulos e formas e cores e energias. Então a gente é tudo? É nada? É sempre? E nunca? Não;A gente é um pontinho perdido, esquecido, no meio do oceano. Mas também somos cada molécula de água que o compõem. A gente? Difícil definir. Tudo bem, talvez eu me arrisque em uma definição e tente assim: somos um paradoxo. Um paradoxo concreto, personificado. E por sermos tão opostos, acabamos sendo iguais. E de tão iguais, jamais seremos dois, para podermos tornar-nos um só. É isso. É isso sim. Você era o meu bem… mas que engraçado! Era meu mal também. É que no fundo eu entendi que nós somos opostos. Tu com esta perfeição imaculada que carregas e eu com essa minha história escrita sobre páginas manchadas de sangue. Nós não temos nada em comum, mas de certa forma nossas divergências se encontram em algum plano infinito.