[…] Sempre foi assim. Eu pensava demais em você. Aliás, eu sentia demais, ouvia demais, falava demais, demonstrava demais, sofria demais, enfim, era tudo “demais” para mim. E bem, isso ia corroendo-me por dentro. Machucava. Machucava muito. Mas ninguém percebia. Bom, eu escondia sabe? Escondia tão bem, que mal sabiam quando eu estava mal. Para todos, eu sempre estava bem. Eu parecia feliz, mas não era. Eu ajudava os outros, mas não a mim mesmo. Eu fazia tudo em excesso, tudo mesmo. Nada do que acontecia era de menos. Era sempre de mais. Corroia, corroeu, doeu… Passei dias e dias assim. Mas como disse, eu sou assim, não á como impedir. Eu sinto tudo há mais. Importo-me mais com qualquer outra pessoa do que comigo mesmo. Amo mais os outros do que eu mesmo. Corro atrás, corro mesmo, quantas vezes for preciso. Quebro a cara em todas as vezes. Me machuco. Mais cortes se abrem em meu peito. E meu grito parece cada vez mais baixo. Ninguém o ouve. Eu me aquieto, deixo-me de lado. Para cuidar de você, dele, dela, de todos. Deixo-me chorar por horas, reclamo, reclamo muito. Nossa, perdi a conta de quantas vezes reclamei por ser assim. Tão ingênuo, tão sentimental, tão otário. Mudei. Mudei pra sentir tudo de menos. Mudei não, tentei apenas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário