Mas ninguém é perfeito, ela sabia disso como ninguém. Como toda mulher, ela esperava algo a mais; um pouco de romance, alguns mimos, um cara bonito; porque não?
Ela estava cansada de moleques, que sempre vinham acompanhados por desculpas esfarrapadas, complicações e superficialidades. Dava-se o direito de ser exigente. Egoísmo ou não, ela queria o melhor para si. Não era qualquer coisa que lhe satisfazia e não caia em conversas fáceis. Ela gostava de homens que soubessem diferenciar o sabor de um bom vinho, que soubessem a mínima diferença entre Paulo Coelho e Caio F. Abreu. Não queria exagero, se for para ser chiclete e depois enjoar é melhor nem começar. A garota gostava de atenção, mas isso não significava que ele teria que se dedicar 24 horas por dia a ela,afinal cada um tem sua vida, além de um relacionamento.
Lembrava-se da última vez que havia tentado. Ele não só sabia a diferença entre Paulo Coelho e Caio F., como era um admirador de Goethe e sabia recitar poemas como ninguém. Enquanto conversavam, ela não podia conter um sorriso que lhe fugia ao canto dos lábios. Aquele menino poderia ser desvendado dentro de duas hipóteses: 1 ele era superficial; 2 ele era realmente tudo aquilo. Resultado? Ela poderia ter adivinhado. Depois de mais uma taça de vinho, esqueceu-se completamente do que pensava e preferiu acreditar. Deliciou-se com o charme, caiu nas palavras daquele possível cavalheiro.
Pobre menina... Se tivesse acreditado na sua própria intuição e parasse de se achar mais sábia que todos, isso não teria acontecido. Talvez ela fosse exigente demais e até um pouco egoísta. Ainda era preciso aprender muito... Muito mesmo (...)

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