quinta-feira, 15 de março de 2012

Um episódio da vida real.*


Recuo diante de simples perguntas, algo do tipo "O que você tem?”. Perguntas assim só pioram tudo, confesso que ainda não descobrir o por que.  Só queria ficar quieta no meu canto, e não havendo mal nenhum nisso, fui. Peguei um dos melhores livros na estante, algo sobre uma batalha interna, que todo ser humano enfrenta: o bem e o mal. Só depois de alguns minutos percebo que li a mesma estrofe cinco vezes e não entendi nada. Algo me perturbava profundamente, tentei rever meus últimos atos, diálogos, momentos e sei lá mais o que, não descubro nada. Tomo um banho. Quinze ou vinte minutos embaixo da água é tudo que preciso. Pensando nisso recordo-me de algo que li  não sei onde, nem quando, embaixo do chuveiro também se lava a alma. Verdade ou não, quem nunca sufocou um soluço em momentos assim?  Um erro a mais, outro a menos não pesaria na caixa reservada a decepções. Termino. O vazio ainda persiste.
Lá fora as nuvens estão pesadas, deixando um contraste perfeito de cinza com o verde das árvores. É inverno, minha estação preferida e aos poucos, aquele calor infernal dá lugar a um friozinho que me obriga a colocar um suéter mais quente. Ouço música. Nada melhor do que palavras ao vento para espantar essa confusão. Uma boa canção sempre ajuda. Vou para a varanda, observo as gotas da chuva pesada, bater no vidro. Olho o canteiro de flores ao lado, memorizando que mais tarde terei que podá-las, algumas rosas estão murchando. O cheiro de café forte inebria o ar, e então sou tomada por lembranças... O que eu sentia era nostalgia, saudade. A chuva, os livros, as flores, o café... Pequenas coisas que marcaram... Pequenas coisas que lembrava os nossos momentos juntos... Com lágrimas nos olhos permaneço contemplando a chuva. Só agora eu sei a falta que ele me faz (...)

Nenhum comentário:

Postar um comentário