Ela ignorou o que todos lhe diziam: “no final, tudo vai dar certo.” Se alguém acreditava nisso, Jane recusava-se a ser apenas mais uma, afinal qual seria a graça se o bom, só acontecesse no final? Ela tinha fibra de sobra para sustentar suas opiniões. Não acreditava em nada do que lhe falavam, sem antes pensar no assunto. Só respondia o que realmente achava. Era complicada, porque gostava de um pouco de perfeição. Alias, quem é que não gosta? Quem diz que não, é só uma desculpa, porque no fundo – talvez bem lá no fundo – é isso que todo mundo espera, nem que seja só um pouquinho (...)
Jane, Jane, Jane... Você vai acabar sozinha, sempre lhe diziam. Ela não se importava. Ficar com alguém só para se mostrar? Escrevesse então uma placa: “ele é um otário, não o amo, mas não estou solteira”. Qual o motivo desse circo todo? Ela preferia ficar só. Antes só do que mal amada. Estava mandando o amor à merda, e talvez essa tenha sido a melhor coisa que já fez.
Na vida de Jane acontecia uma troca: quando ela queria, não acontecia; quando ela não queria acontecia. E foi assim, em um sábado qualquer, que Charles mudou-se para o seu prédio. De longe parecia ser só mais um, era um homem bonito – ninguém poderia negar. Mas vai saber... Não era do tipo que se deixava levar pelas aparências. Dessa vez enganou-se. Apesar de ser diferente dos seus conceitos, de não gostar de literatura e tampouco estar de acordo com suas exigências; havia algo nele que o tornava diferente... Depois de muitos fracassos ela voltou a pensar em algo mais profundo... Algo que poderia dar certo... Algo que ela poderia até chamar de um possível amor (...)

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